Sei muito sobre muito pouco. E o que deveria saber não sei.
(Será q isso é meu mesmo ou copiei incoscientemente de alguém?)
terça-feira, 13 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
O Fim da Vida
Era nosso planeta daqui a alguns muitos anos. Toda a água havia se extinguido. Não estou falando de água potável. Nem mesmo a poluída existia. Sei lá se Deus havia levado embora. Sei que o mundo ficou seco, sem plantas, sem animais, só o homem habitava, agora. De alguma forma, o bicho acostumou-se com a falta d’água. Seu corpo tornou-se seco.
Oceanos tornaram-se Sertões. Os chafarizes jorravam areia, agora. As nuvens passaram a chover areia e, de vez em quando, pedras. Os humanos perderam a saliva. Os palhaços aposentaram suas florzinhas no peito. E o mosquito da dengue foi extinto.
Mas o homem não parecia importar-se com tudo isso. Já que seu organismo adaptou-se à falta d’água, não havia com o que se preocupar. Nem mesmo com a poluição, pois ele, provavelmente, acostumar-se-ia com ela, também. O importante era continuar ganhando e perdendo dinheiro, evoluindo tecnologicamente. Que economia! Já que uma expedição em busca de água em outros planetas estava fora de cogitação, naquele instante.
O triste de tudo isso é que o homem tornou-se seco. Seus sentimentos parecem terem se esvaído, juntamente com a água.
Mas alguns ecologistas saudosistas, cujas almas ainda estavam úmidas, questionavam essa situação, reclamavam, discutiam, protestavam.
Um menino, que nunca vira, ouvira, cheirara, tocara nem sentira o gosto da água, curioso, foi até um vendedor de doces – doces secos – e pediu um. Quando o vendedor perguntou qual sabor o menino queria, a resposta foi rápida, seca:
- Água!
Nesse momento, o vendedor, perplexo, silenciou-se. Lamentou por não existir água para que caísse uma lágrima de seu olho.
Oceanos tornaram-se Sertões. Os chafarizes jorravam areia, agora. As nuvens passaram a chover areia e, de vez em quando, pedras. Os humanos perderam a saliva. Os palhaços aposentaram suas florzinhas no peito. E o mosquito da dengue foi extinto.
Mas o homem não parecia importar-se com tudo isso. Já que seu organismo adaptou-se à falta d’água, não havia com o que se preocupar. Nem mesmo com a poluição, pois ele, provavelmente, acostumar-se-ia com ela, também. O importante era continuar ganhando e perdendo dinheiro, evoluindo tecnologicamente. Que economia! Já que uma expedição em busca de água em outros planetas estava fora de cogitação, naquele instante.
O triste de tudo isso é que o homem tornou-se seco. Seus sentimentos parecem terem se esvaído, juntamente com a água.
Mas alguns ecologistas saudosistas, cujas almas ainda estavam úmidas, questionavam essa situação, reclamavam, discutiam, protestavam.
Um menino, que nunca vira, ouvira, cheirara, tocara nem sentira o gosto da água, curioso, foi até um vendedor de doces – doces secos – e pediu um. Quando o vendedor perguntou qual sabor o menino queria, a resposta foi rápida, seca:
- Água!
Nesse momento, o vendedor, perplexo, silenciou-se. Lamentou por não existir água para que caísse uma lágrima de seu olho.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Carta de um peão a todas as PEÇAS GRANDES
Semana passada, uma PEÇA GRANDE fez deboche de nossa classe, os peões. Não lembro bem que PEÇA foi; se era um Bispo...uma Torre...Estava mais pra Cavalo. Dos piores. Daqueles que se acham Rei. Caçoou. Insinuou que somos menores, fracos, mercenários... peões.
Ficamos meio que sem saber o que fazer, na hora. Certas coisas acontecem tão de repente, que nos deixam sem ímpeto...sem repente.
Quando fico sem saber o que fazer, escrevo. Então, resolvi fazer essas linhas aqui em homenagem a nós, peões.
Somos menores, sim, mas nossa vontade de lutar, muitas vezes supera à dos GRANDES. Creio que seja mais fácil enfrentar uma guerra, quando se é maior. Em nosso caso, a coragem ocupa o que nos falta em tamanho.
Sobre sermos mercenários. O próprio fato de debochar de alguém por ganhar menos já prova que a preocupação com dinheiro está mais concentrada no debochador. Geralmente, aqueles que têm as algibeiras mais leves são os que mais põem seus corações em uma batalha.
Muitos de nós, peõezinhos, partiram para essa guerra sem treinamento algum. Aprendendo a batalhar durante no próprio ardor do combate. Realizando, até mesmo, trabalhos de vocês, PEÇAS GRANDES.
Valorizem os peões. Somos nós quem damos a segurança para que vocês não se sintam vulneráveis, quando o desafio começa se aproximar em marcha.
Peões não são um monte de peças pequenas, que andam uma casa por vez. São, sim, uma grande peça que se espalha por todo o tabuleiro.
E mais uma coisa sobre peões vocês precisam saber. O mais bravo deles, aquele que consegue atravessar todo o tabuleiro, quando chega ao outro lado, pode tornar-se a peça que quiser.
(singela homenagem de Cabrau a seus seus colegas estagiários)
Ficamos meio que sem saber o que fazer, na hora. Certas coisas acontecem tão de repente, que nos deixam sem ímpeto...sem repente.
Quando fico sem saber o que fazer, escrevo. Então, resolvi fazer essas linhas aqui em homenagem a nós, peões.
Somos menores, sim, mas nossa vontade de lutar, muitas vezes supera à dos GRANDES. Creio que seja mais fácil enfrentar uma guerra, quando se é maior. Em nosso caso, a coragem ocupa o que nos falta em tamanho.
Sobre sermos mercenários. O próprio fato de debochar de alguém por ganhar menos já prova que a preocupação com dinheiro está mais concentrada no debochador. Geralmente, aqueles que têm as algibeiras mais leves são os que mais põem seus corações em uma batalha.
Muitos de nós, peõezinhos, partiram para essa guerra sem treinamento algum. Aprendendo a batalhar durante no próprio ardor do combate. Realizando, até mesmo, trabalhos de vocês, PEÇAS GRANDES.
Valorizem os peões. Somos nós quem damos a segurança para que vocês não se sintam vulneráveis, quando o desafio começa se aproximar em marcha.
Peões não são um monte de peças pequenas, que andam uma casa por vez. São, sim, uma grande peça que se espalha por todo o tabuleiro.
E mais uma coisa sobre peões vocês precisam saber. O mais bravo deles, aquele que consegue atravessar todo o tabuleiro, quando chega ao outro lado, pode tornar-se a peça que quiser.
(singela homenagem de Cabrau a seus seus colegas estagiários)
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A menina que gostava de perguntar
Era uma vez uma menina; não lembro se feia ou se bonita. Lembro-me de que ela adorava fazer perguntas. Muitas perguntas, principalmente a seu professor.
E ele respondia.
Pelo que ele via, ela sabia muito pouco. E ele sempre sabia responder. Mesmo quando achava que não saberia.
Com o tempo, ele viu que certas coisas ele descobria enquanto respondia; que ela não sabia tão pouco assim; e que ele aprendia, quando respondia a ela.
(para Bianca, minha aluna cabeçuda, com quem gosto de conversar)
E ele respondia.
Pelo que ele via, ela sabia muito pouco. E ele sempre sabia responder. Mesmo quando achava que não saberia.
Com o tempo, ele viu que certas coisas ele descobria enquanto respondia; que ela não sabia tão pouco assim; e que ele aprendia, quando respondia a ela.
(para Bianca, minha aluna cabeçuda, com quem gosto de conversar)
Poetas de Trem
Olha o vendedor!
Olha o vendedor!
Quem quer?
Quem quer?
Tem de toda cor
de todo sabor
Tem do preto
Tem do branco
Tem homem, tem mulher
corinthiano
são Paulino
flamenguista
Tem paulista
nordestino
do mais velho
ao mais menino
tem nervoso
tem calminho
vagaroso
rapidinho
Tem cego
surdo
mudo
aleijado
tem de tudo
Vão vagando no vagão
seja sério ou brincalhão
Ministério da Estação
Tem esforçado
Vagabundo
Tem vendedor pra todo mundo
Agora, esconde!!!
Guarda!!!
Guarda!!!
Tem gente vindo de farda!!!
Ocupamos nosso tempo gostando dos poetas de livros. São excelentes, mas são de mentira. Não existem, fora dos papéis, das linhas, das letras. Existem poetas bem mais próximos. Poetas de verdade, que dividem momentos e, às vezes, o mesmo teto que a gente, ou os mesmos cômodos com rodas, os vagões... São surdos, cegos, mudos, doentes, aleijados, pobres, feios. São todos iguais. Repetem-se como as estações, como os vagões, como os dias. Entram e saem vendendo produtos e versos baratos, às vezes até roubados. Recitam suas poesias escondendo-se dos homens de farda.
Olha o vendedor!
Quem quer?
Quem quer?
Tem de toda cor
de todo sabor
Tem do preto
Tem do branco
Tem homem, tem mulher
corinthiano
são Paulino
flamenguista
Tem paulista
nordestino
do mais velho
ao mais menino
tem nervoso
tem calminho
vagaroso
rapidinho
Tem cego
surdo
mudo
aleijado
tem de tudo
Vão vagando no vagão
seja sério ou brincalhão
Ministério da Estação
Tem esforçado
Vagabundo
Tem vendedor pra todo mundo
Agora, esconde!!!
Guarda!!!
Guarda!!!
Tem gente vindo de farda!!!
Ocupamos nosso tempo gostando dos poetas de livros. São excelentes, mas são de mentira. Não existem, fora dos papéis, das linhas, das letras. Existem poetas bem mais próximos. Poetas de verdade, que dividem momentos e, às vezes, o mesmo teto que a gente, ou os mesmos cômodos com rodas, os vagões... São surdos, cegos, mudos, doentes, aleijados, pobres, feios. São todos iguais. Repetem-se como as estações, como os vagões, como os dias. Entram e saem vendendo produtos e versos baratos, às vezes até roubados. Recitam suas poesias escondendo-se dos homens de farda.
O patético
Mais patético do que um palhaço
é um palhaço apaixonado.
Já viram um?
Ridículo
Fica tonto,
besta
Suas graças perdem a graça
Fica sério
Fica um cara normal.
Tal como o cara normal que,
quando ama ou gosta de alguém,
Fica parecendo um palhaço.
é um palhaço apaixonado.
Já viram um?
Ridículo
Fica tonto,
besta
Suas graças perdem a graça
Fica sério
Fica um cara normal.
Tal como o cara normal que,
quando ama ou gosta de alguém,
Fica parecendo um palhaço.
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