quinta-feira, 1 de maio de 2008

Poetas de Trem

Olha o vendedor!
Olha o vendedor!
Quem quer?
Quem quer?
Tem de toda cor
de todo sabor
Tem do preto
Tem do branco
Tem homem, tem mulher
corinthiano
são Paulino
flamenguista
Tem paulista
nordestino
do mais velho
ao mais menino
tem nervoso
tem calminho
vagaroso
rapidinho
Tem cego
surdo
mudo
aleijado
tem de tudo
Vão vagando no vagão
seja sério ou brincalhão
Ministério da Estação
Tem esforçado
Vagabundo
Tem vendedor pra todo mundo

Agora, esconde!!!
Guarda!!!
Guarda!!!
Tem gente vindo de farda!!!




Ocupamos nosso tempo gostando dos poetas de livros. São excelentes, mas são de mentira. Não existem, fora dos papéis, das linhas, das letras. Existem poetas bem mais próximos. Poetas de verdade, que dividem momentos e, às vezes, o mesmo teto que a gente, ou os mesmos cômodos com rodas, os vagões... São surdos, cegos, mudos, doentes, aleijados, pobres, feios. São todos iguais. Repetem-se como as estações, como os vagões, como os dias. Entram e saem vendendo produtos e versos baratos, às vezes até roubados. Recitam suas poesias escondendo-se dos homens de farda.

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